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sábado, 2 de maio de 2020

Desafios para o aprendizado em tempos de pandemia

Gravação de videoaulas na Caderno Virtual

Se no início desse semestre dissessem que não só o Brasil, mas o mundo inteiro passaria meses dentro de casa, sem poder frequentar escolas, escritórios, parques e shoppings para combater um inimigo invisível, ninguém acreditaria. Entretanto, é essa a realidade frente à pandemia do novo coronavírus, que mudou o funcionamento da vida como se conhece. 

O que mudou? 
Segundo mapeamento realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), mais de 1,5 bilhões de estudantes foram afetados pela paralisação das aulas e fechamento temporário de escolas em 191 países e regiões. Isso significa que uma nova realidade foi imposta a todas as pessoas de alguma forma envolvidas com a educação. 
Professores que tinham pouco ou nenhum contato com tecnologia precisaram começar a planejar aulas mediadas por telas junto a seus coordenadores pedagógicos, ao mesmo tempo em que descobrem sobre o funcionamento de ferramentas tecnológicas. Com aulas on-line, surgiram novos desafios que não eram comuns nos encontros presenciais como problemas de conexão e engajamento dos alunos à distância. 
Tatiana Klix, diretora do Porvir, portal especializado em inovações em educação, explica que entre inúmeras questões, um dos maiores desafios é a necessidade de adaptação a uma situação para a qual ninguém estava preparado. “Não é só uma questão de saber ou não usar a tecnologia ou de os alunos terem ou não computador em casa. A situação fica difícil também porque ninguém estava preparado para promover aprendizado de uma maneira diferente. Estamos precisando nos adaptar muito rapidamente sem ter um horizonte lá na frente.” 
A insegurança gerada entre o corpo docente pode ser dividida em fases. A inquietação dos professores com questões mais técnicas, como, por exemplo, dar aula on-line, gravar vídeos e como os alunos irão acessar o material em casos em que não contam com a tecnologia em casa, soma-se a uma preocupação com a participação dos estudantes. 
“O segundo desafio é o do engajamento, do contato com os alunos, de entender se as aulas estão fazendo sentido, de saber se os alunos de fato estão aprendendo, se interessando pelas aulas, se estão conseguindo administrar as tarefas em casa. Esse segundo nível diz respeito à qualidade das atividades”, afirma Tatiana. 

União de esforços 
Entre os 133 respondentes do Censo GIFE 2018, 80% mencionaram a educação como principal área de atuação. O dado segue uma tendência histórica de atuação mais expressiva de investidores sociais no tema. O dado explica o fato de institutos, fundações e empresas estarem desenvolvendo iniciativas para, de alguma forma, minimizar os impactos que a crise sanitária traz à educação. 
Uma iniciativa que congrega diversos associados GIFE é a Aprendendo Sempre, plataforma voltada a gestores educacionais, professores e famílias a fim de garantir que todos os estudantes continuem aprendendo e se desenvolvendo durante a pandemia de Covid-19. 
Além de mapear eventos, cursos, webinários, oportunidades de trocas de informação e apresentar conteúdos alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e às dez competências fundamentais que estudantes devem desenvolver, o site também reúne tecnologias para preparação e transmissão de aulas online e exemplos de boas práticas de quem já está promovendo aulas à distância. 
Para Tatiana, a ideia de unir esforços em uma iniciativa como essa, da qual o Porvir faz parte, é evitar trabalhos repetidos e aumentar a capacidade de resposta às inúmeras demandas e carências que o momento traz, entre elas, apoio a professores, redes de ensino e famílias; produção e disseminação de conteúdo e informação; e disponibilidade e compreensão sobre boas ferramentas e seus funcionamentos. 
Além disso, reunir conteúdo em um só lugar é uma forma de diminuir a sobrecarga de informações. “No início dessa fase, nos demos conta de que professores estão sendo bombardeados de informações por WhatsApp, e-mail e várias fontes e, com isso, já não estão mais sabendo para onde olhar. Na medida em que reunimos esforços, eles verão que um conjunto de organizações fez a curadoria do conteúdo e, assim, realizamos uma entrega de maneira mais acessível, confiável e assertiva para quem está precisando de ajuda.”  

Orientações a gestores  
Outra iniciativa do investimento social privado é o lançamento da Gestão de crise na Educação: Covid-19 pelo Instituto Unibanco, uma página que reúne conteúdo para apoiar gestores em tempos de coronavírus. Um dos materiais disponibilizados na plataforma é um conjunto de dicas para que gestores possam orientar as famílias sobre as melhores estratégias para incentivar os estudos em casa. Entre as sugestões estão estimular contato com professores, desenhar uma rotina em família e planejar intervalos. 
Segundo Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco, “a participação das famílias sempre foi peça essencial na engrenagem de uma boa gestão educacional. No momento em que as atividades presenciais estão suspensas, ela se torna ainda mais importante. Essas famílias precisam também ser apoiadas em suas necessidades para que consigam dar o melhor apoio aos estudantes – na medida do possível e considerando suas vulnerabilidades.” 
A plataforma também reforça que, além da preocupação com a aprendizagem dos conteúdos curriculares à distância, é preciso atentar-se ao bem-estar, saúde mental e equilíbrio emocional dos estudantes, fatores que nunca devem ser colocados em segundo plano. Segundo Ricardo, alunos com questões socioemocionais têm mais dificuldades na aprendizagem e, por isso, o momento atual eleva riscos de evasão, por exemplo, especialmente entre jovens mais vulneráveis. 
“Todos nós estamos com o estresse muito elevado e passando por situações que nunca vivemos e a população mais vulnerável sofre muito mais. As questões econômicas pesam muito. Existem também as questões de perda de familiares e amigos pela Covid-19 e violência doméstica aumentando em patamares como nunca vistos antes. São muitos os aspectos a serem cuidados em relação a esses jovens, que precisam se sentir apoiados e conectados com a escola, especialmente neste momento”, afirma o superintendente. 

Importância de considerar a realidade local 
Segundo dados divulgados pela Teacher Task Force, uma aliança internacional coordenada pela UNESCO, mais de 800 milhões de estudantes que estão com aulas suspensas não contam com um computador em casa, enquanto 43% do total de alunos não têm acesso à internet. Por isso, entender a multiplicidade de formatos sob os quais os conteúdos podem ser oferecidos é uma forma de considerar as diferentes realidades socioeconômicas dos alunos no Brasil.
Outro conteúdo que integra a plataforma do Instituto Unibanco é o portal Estratégias de Aprendizagem Remota, elaborado pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) para que escolas públicas ofereçam ensino remoto aos estudantes. Uma das principais mensagens do portal é a importância de o gestor da rede de educação considerar a realidade local no momento de planejar quais serão as estratégias para manter a educação mesmo à distância. 
Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do CIEB, cita a pesquisa Planejamento das Secretarias de Educação do Brasil para ensino remotorealizada pelo CIEB, ao afirmar que, das 3.032 secretarias de educação respondentes, 63% ainda não orientam sobre qual estratégia de ensino remoto deve ser adotada neste período. 
“Redes que já tinham planejamento e alguma experiência no uso da tecnologia conseguiram se mover mais rápido e montar um projeto que realmente faz chegar aos estudantes algum modelo de ensino. Mas a pesquisa aponta que grande parte dos municípios simplesmente suspendeu aulas ou deu férias antecipadas. Isso tem a ver com falta de preparo e planejamento frente à pandemia, o que é agravado pela diferença de acesso à internet e a equipamentos para atividades online pelos estudantes, com grandes preocupações sobre o aumento de desigualdade”, afirma a diretora. 
Ter em mente o momento de estresse ao qual os professores estão submetidos – por serem demandados a exercer uma função para a qual não têm preparo – e o seu papel em apoiar e manter o engajamento dos alunos são pontos fundamentais para a educação, atualmente, defende Lúcia. “Poderíamos tirar um pouco dessa pressão para o conteúdo pedagógico e mostrar ao professor a importância de estar em contato com os alunos, estimulando a ler e a fazer atividades educativas, sem cobrar a questão do desempenho acadêmico nesse momento”, afirma. 
Além de detalhes sobre as possibilidades que cada estratégia da aprendizagem remota oferece – transmissão de aulas e conteúdos via televisão e rádio, vídeoaulas gravadas e ao vivo em redes sociais, envio de conteúdos digitais e disponibilização de plataformas de ensino online – o CIEB também criou uma ferramenta para que gestores educacionais possam, de acordo com a realidade de sua rede de ensino, escolher quais estratégias adotar para o ensino remoto. O questionário traz perguntas sobre infraestrutura, conectividade, conhecimentos técnicos e mobilização dos atores escolares e, a partir das informações fornecidas, monta um plano personalizado para o gestor. 
Para Lúcia, mesmo que desafiador, o momento pode trazer alguns aprendizados e, para a diretora, o maior deles é a necessidade de incorporar tecnologia no dia a dia das escolas, para que, em casos de emergência como esse, a transição para o mundo online seja mais fluida tanto para professores, como para os alunos. “Nós costumamos falar que a escola pública deve ser uma escola conectada não só no sentido da internet, mas ser um local que saiba usar tecnologia no dia a dia, que tenha infraestrutura adequada, com professores capacitados com habilidades e competências digitais desenvolvidas e um conjunto de recursos educacionais digitais que são complementares às aulas presenciais. Com isso, há um aumento do leque de experiências de aprendizagem para os estudantes.” 

Outras iniciativas 
– Além de integrar a Aprendendo Sempre, a Fundação Lemann também está desenvolvendo outras iniciativas, como apoio técnico a redes municipais e estaduais em parceria com a Imaginable Futures e Sincroniza Educação e a AprendiZap, plataforma para que alunos possam receber conteúdos e exercícios via WhatsApp. 

terça-feira, 4 de maio de 2010

Projeto: Doe palavras

Quero destacar aqui um projeto digno de elogios, do Instituto e Hospital Mário Penna, chamado “Doe Palavras”.
O referido Hospital fica em Belo Horizonte e cuida de pacientes em tratamento contra o câncer, onde todos podem doar-se um pouco e no caso, você doa palavras!
Confira o site do projeto: www.doepalavras.com.br


Entrando no site basta escrever sua mensagem bem curtinha de esperança, de motivação ou de incentivo, como já é costume no twitter.
O interessante é que sua mensagem aparecerá nas telas dos televisores espalhados pelo hospital para os pacientes em tratamento.
Você ainda pode doar palavras diretamente pelo twitter, adicionando, ao final da mensagem, a hashtag #doepalavras.
Fazer o bem pra um semelhante não custa nada e ainda você aproveita pra encher de alegria o coração das pessoas e principalmente o seu.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Projeto: Organização em cena. A arte explica.

A convite dos amigos, professores Rodrigo Miranda e Cíntia Rodrigues estarei nessa sexta, 30 de abril, às 18h, no auditório da UFU participando do projeto: A organização em cena, a arte explica.


Com a participação dos acadêmicos do Curso de Administração da UFU assistiremos ao filme “À Procura da Felicidade”.
Além da incrível, tocante e comovente interpretação de Will Smith, até por contracenar com seu próprio filho, pode-se assistir uma bela história de luta, perseverança e paternidade responsável.
Antes de fazer um breve relato sobre o filme, gostaria de fazer alguns questionamentos a vocês leitores:

1. Qual seria sua reação se sua vida começasse a seguir rumo a um grande abismo?

2. Imagine sua mulher cobrando conforto e segurança, seu filho pequeno, que você tanto ama, permanecendo o dia todo em uma creche nada higiênica ao lado de animais e profissionais sem nenhum recurso pedagógico. Triste? Razão para total desespero? ou oportunidade para você virar o jogo?

3. E se suas contas estivessem atrasadas, incluindo o aluguel?

4. E se, dada tamanha pressão, sua mulher o abandonasse?

Se você pensa que isso é impossível ou improvável, convido-o a acompanhar esse drama da vida real.

O começo
“À procura da felicidade” relata a história real vivida por Christopher Gardner que se passa durante o começo da década de 80. Chris, que antes do filme lançou um livro narrando sua saga (“The Pursuit of Happyness”), apostou, no início de sua vida de casado, toda sua poupança na revenda de máquinas portáteis a pequenos hospitais e consultórios médicos.
Uma alternativa mais moderna às velhas máquinas de raio X, o que parecia ser um negócio da China logo se transformou em um pesadelo. Ele percebeu a dificuldade em vender um equipamento caro e com pouco mercado, já que a tecnologia naquele momento era um luxo. Naquele período, o EUA e o mundo passavam por problemas econômicos sérios oriundos da chamada Crise do Petróleo.
Chris narra em sua história que, para pagar suas despesas básicas, precisava vender ao menos 3 máquinas por mês, o que via de regra não conseguia. Quando se deu conta, era um homem desempregado, abandonado pela esposa, pai solteiro, mendigo, carregando o filho pequeno para os abrigos de sem tetos, bancos de jardins e até banheiros públicos, que serviram de dormitório.

A virada
Em uma de suas incansáveis peregrinações pelas ruas de São Francisco, Chris Gardner observou um sujeito procurando vaga para estacionar uma Ferrari vermelha. Impressionado com a máquina ele fez duas perguntas:
“O que você faz?
Como você faz?”

O dono da Ferrari disse que era corretor da Bolsa de Valores e que tudo o segredo era simples: ser bom com números e com pessoas. Começou ali uma guinada incrível na vida de Chris. Nesse momento, todas as suas economias somavam apenas US$ 25.
Ele se inscreveu em um programa de estágio não remunerado numa corretora de valores, sobrevivendo com a venda de uma ou outra máquina para alguns médicos e usando todo o seu tempo livre (madrugadas) estudando livros que recebera durante o estágio. Durante esse tempo, Chris desenvolveu a chamada “Teoria dos fertilizantes”:
“Nesse mundo existem dois tipos de pessoas: aqueles que vêem um monte de estrume e o identificam como tal e os que reconhecem ali uma boa quantidade de fertilizantes”
Depois de muito tempo penando, Chris se destacou no estágio e conseguiu licença para operar oficialmente na Bolsa. Logo encontrou emprego na conceituada firma Bear, Stearns & Co. Inc.

A lição
Através da história de Chris, percebemos que, mesmo nos piores momentos, a busca da felicidade foi apenas um pontapé inicial para a busca de uma compensação para suas perdas financeiras. A felicidade foi encontrada não na possibilidade de ganhar milhões ou comprar uma Ferrari, mas poder proporcionar algo de bom para seu filho: o exemplo.
Lembrei-me do livro escrito pelo professor da PUC, o filósofo Mário Sergio Cortella: Qual é a sua obra? (cuja resenha encontra-se postada no blog). No capítulo: Fundamental é chegar ao essencial, ele estabelece a distinção necessária entre o que é essencial e o que é fundamental.
Para o referido autor, essencial é tudo aquilo que você não pode deixar de ter: felicidade, amorosidade, lealdade, amizade, sexualidade, religiosidade.
Fundamental é tudo aquilo que o ajuda a chegar no essencial. Fundamental é o que lhe permite conquistar algo. Por exemplo, trabalho não é essencial, é fundamental. Você não trabalha para trabalhar, você trabalha porque o trabalho lhe permite atingir a amizade, a felicidade, a solidariedade. Dinheiro não é essencial, é fundamental. Sem ele, você passa dificuldades, mas ele em si, não é essencial.
Não deixe que ninguém o faça desistir dos seus sonhos ou que ninguém lhe diga do que você é capaz. Só você sabe disso. Nem sempre o que é realmente valioso em nossas vidas pode ser comprado. A felicidade por poder proporcionar aos filhos boa educação, roupas caras e brinquedos da moda nunca deve ser comparada à felicidade em situações menos abastadas. Felicidade não se quantifica, se vive! Ela é essencial.
Todos nós temos fixação em histórias como as de Chris. Ficamos fascinados pela possibilidade de alguém sair da pobreza e ficar rico, não é mesmo? É claro que esta é uma história de sucesso, mas note que ela vai além do desejo de riqueza, poder e fama. Trata-se de uma lição de força de vontade, motivação, perseverança.
Infelizmente, milhares acabam indo na direção oposta, afundando cada vez mais em suas dívidas e problemas pessoais. Não é fácil, é verdade. Não temos a menor noção do périplo enfrentado por pessoas como Chris.
Algumas coisas são dignas de destaque: quem se motiva, aprende com os erros do passado, cometendo apenas erros novos, busca inspiração na cultura e se dedica naquilo que pode fazer a diferença, pode mudar o próprio destino. A esperança traz a sorte e ambas trabalham juntas na busca do sucesso. Saber se relacionar também é algo fundamental. Mesmo quando Chris dormia nos banheiros públicos, ele manteve-se em contato com as pessoas certas, nas horas certas.
Hoje Chris Gardner é dono da Christopher Gardner International Holding, com sede em Chicago e sua fortuna é estimada em US$ 600 milhões. Ah! sim, ele comprou sua primeira Ferrari nos anos 90. Era usada, mas o ex-dono era ninguém menos do que Michael Jordan, o maior gênio da história do basquetebol.

O aprendizado
Como parte do aprendizado, vemos que força de vontade, persistência e motivação (motivos para ação) podem fazer toda a diferença na nossa busca da felicidade.

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